Formação 4-3-1-2: O Losango, o Camisa 10 e o Milan de Pirlo

Esquema tático da formação 4-3-1-2 com meio-campo em losango

A 4-3-1-2 existe para responder a uma pergunta que todo técnico brasileiro já fez: onde eu coloco o meu camisa 10? A resposta do losango é simples. Atrás dos dois atacantes, no centro, com três meias protegendo as costas dele. Aqui estão as funções de cada ponta do losango, os dois times que chegaram a finais de Champions com ele e o lado do campo onde ele sangra.

De onde veio a 4-3-1-2

É uma variação da 4-4-2, e ganhou força na Itália dos anos 1990.

Depois de Sacchi, quase toda a Serie A jogava com quatro defensores e dois atacantes. O que mudava era o meio: muitos treinadores preferiam trocar os dois meias abertos por jogadores centrais e colocar o mais técnico entre as linhas. Era a época de Baggio, Zola e Rui Costa, e o losango dava lugar para todos eles.

No Brasil a lógica sempre foi parecida, mesmo quando o nome do esquema mudava. O futebol brasileiro valoriza o meia que joga atrás dos atacantes, e os exemplos vão muito além da seleção. Alex, pelo Cruzeiro de Vanderlei Luxemburgo em 2003, terminou como artilheiro do Brasileirão com 23 gols jogando de meia, em um time que fez 100 pontos e ganhou a tríplice coroa.

A versão mais famosa do losango, no entanto, é a do Milan de Carlo Ancelotti. Ele consolidou uma ideia que Carlo Mazzone havia testado no Brescia, onde o camisa 10 era Baggio: Andrea Pirlo, meia de origem, recuado para a frente da zaga para organizar o jogo. Com Pirlo embaixo, Gattuso e Seedorf pelos lados e Rui Costa em cima, o Milan ganhou a Champions de 2002-03.

As quatro pontas do losango

  • 4 defensores: dois zagueiros e dois laterais, que são a única largura do time.
  • 1 volante: a base do losango, que protege a zaga e começa as jogadas.
  • 2 meias de lado: correm na horizontal para cobrir as pontas e chegam na área pelo meio.
  • 1 camisa 10: a ponta de cima, entre as linhas, atrás da dupla de ataque.
  • 2 atacantes: jogam próximos e tabelam com o camisa 10.

Quatro homens no centro contra dois ou três do adversário. É isso que o losango vende: posse e recuperação de bola sempre com um jogador a mais na faixa central do campo.

Como funciona linha por linha

Defesa

Os zagueiros são protegidos pelo volante, mas os laterais trabalham mais do que em qualquer outro esquema de quatro. Eles precisam dar toda a largura no ataque, porque não há ninguém na frente deles pela ponta, e voltar a tempo. No Milan de 2003, Costacurta jogava pela direita e Kaladze pela esquerda, com Nesta e Maldini no meio.

O volante

É a escolha que define o time.

Pode ser um marcador ou um organizador. Ancelotti escolheu o organizador, e com Pirlo ajudou a mudar a ideia do que é um primeiro volante: um jogador técnico que defende com posicionamento e distribui com lançamentos. Doze anos depois, na Juventus de Allegri, a base do losango era o mesmo Pirlo.

Os meias de lado

São eles que seguram o esquema em pé. Cobrem as pontas quando o time defende, já que não há meias abertos, e entram na área quando o time ataca. Gattuso e Seedorf no Milan, Marchisio e Pogba na Juventus: em ambos os casos, um mais de marcação e outro mais de qualidade.

O camisa 10

A ponta de cima. Recebe entre as linhas, de costas para o volante adversário, e tem três caminhos: servir um dos atacantes, achar o meia que chega de trás ou finalizar. Rui Costa em 2003 era o meia clássico, só técnica. Allegri fez uma aposta diferente em 2014-15: Arturo Vidal, um volante de marcação, jogando de camisa 10 para pressionar o primeiro passe do adversário antes mesmo de criar.

A dupla de ataque

Joga perto e conversa com o camisa 10. O modelo ideal é um atacante que vem buscar e outro que ataca o espaço: Shevchenko e Inzaghi no Milan, Tevez e Morata na Juventus.

Pontos fortes

  1. Superioridade no centro. Quatro contra dois ou três no meio: a posse e a recuperação acontecem sempre com vantagem numérica na zona que decide o jogo.
  2. O camisa 10 tem posição fixa. Nenhum outro esquema coloca o meia-armador tão no centro e tão livre. Para um elenco com um 10 de verdade, é a casa natural dele.
  3. Três jogadores chegando na área. Dois atacantes mais o camisa 10, e os meias de lado podem completar. Contra uma linha de quatro, a pressão na área é constante.
  4. Pressão alta pelo meio. O camisa 10 marca o volante adversário e os dois atacantes marcam os zagueiros. A saída de bola curta do rival fica bloqueada nos primeiros passes.

Pontos fracos

  1. Ninguém nas pontas. Toda a largura depende dos laterais. Se eles não sobem, o time fica estreito e previsível.
  2. As costas dos laterais. Quando sobem, fica um espaço que os meias do losango precisam cobrir correndo 30 metros na horizontal. Uma inversão rápida sempre os pega atrasados.
  3. Meias exaustos. O losango pede aos meias de lado que defendam na ponta e ataquem na área. Sem reservas à altura, depois de uma hora o meio-campo abre.
  4. Depende do camisa 10. Se ele é marcado individualmente, o time perde a ligação entre meio e ataque e fica com quatro meias trocando passes na frente da defesa adversária.

Como os rivais batem a 4-3-1-2

A arma principal é a largura. Um time com dois pontas abertos e velozes obriga os laterais do losango a ficarem atrás, e aí o losango perde sua única fonte de amplitude. Se os laterais sobem mesmo assim, o ponta recebe nas costas deles e parte para cima do zagueiro. Por isso muitos técnicos, durante o jogo, abrem um dos meias de lado ou sacrificam um atacante: losango puro contra dois pontas é uma aposta.

A segunda é a inversão de jogo. O losango inteiro escorrega para o lado da bola; uma bola longa no lado oposto encontra o lateral adversário livre e o meia de lado obrigado a uma corrida enorme. Depois de dez inversões, os meias chegam sempre um segundo atrasados.

A terceira é marcar o volante. Com um atacante ou um meia em cima dele, o losango perde o primeiro passe e precisa sair jogando com os zagueiros, que raramente são bons nisso.

Quando os times usam a 4-3-1-2

  • Quando têm um camisa 10 de qualidade e dois atacantes que sabem jogar com ele.
  • Quando os laterais são ofensivos, capazes de fazer o corredor inteiro sozinhos.
  • Contra times com dois meias centrais, onde o losango fica em clara vantagem.
  • Quando os meias de lado têm fôlego, porque vão defender também pelas pontas.

Dois exemplos reais

Milan de Carlo Ancelotti, 2002-03. Na final de 28 de maio de 2003, em Old Trafford: Dida; Costacurta, Nesta, Maldini e Kaladze; Gattuso, Pirlo e Seedorf; Rui Costa; Shevchenko e Inzaghi. Foi a primeira final de Champions entre dois times italianos, contra a Juventus de Marcello Lippi. O jogo terminou 0 a 0 depois da prorrogação e o Milan venceu por 3 a 2 nos pênaltis, com a cobrança decisiva de Shevchenko.

Juventus de Massimiliano Allegri, 2014-15. Allegri herdou a 3-5-2 de Conte e, em 4 de novembro de 2014, contra o Olympiacos, passou para o losango: Pirlo de volante, Marchisio e Pogba pelos lados, Vidal de camisa 10 atrás de Tevez e Morata. Com esse desenho a Juve eliminou Borussia Dortmund, Monaco e Real Madrid na Champions e chegou à final de Berlim em 6 de junho de 2015, perdida por 3 a 1 para o Barcelona. No campeonato italiano foi campeã com 17 pontos de vantagem sobre a Roma, com 20 gols de Tevez, e ainda ganhou a Copa da Itália.

Como reconhecer a 4-3-1-2 vendo o jogo

  • Quatro meias formando um losango, com um na frente da zaga e outro atrás dos atacantes.
  • Nenhum meio-campista perto da linha lateral; a largura só aparece quando os laterais sobem.
  • Dois atacantes sempre próximos, com o camisa 10 entrando entre eles.
  • Os meias de lado se deslocam juntos para o lado onde está a bola.

O esquema do camisa 10

A 4-3-1-2 é a resposta mais direta para quem tem um meia-armador e não quer desperdiçá-lo. Ela o coloca no centro, atrás de dois atacantes, protegido por três meias. Em troca pede laterais incansáveis e dois meias que corram por quatro. Ancelotti ganhou uma Champions com um 10 clássico ali; Allegri chegou a uma final com um volante disfarçado de 10.

Se no seu time tem aquele jogador que só rende atrás dos atacantes, monte o losango no Quick Lineup e compare com a 4-2-2-2, a versão brasileira com dois meias por dentro.

Formações relacionadas

Perguntas frequentes

O que é a formação 4-3-1-2?

É o esquema com 4 defensores, 3 meio-campistas centrais, 1 meia-armador e 2 atacantes. Os quatro do meio formam um losango: um volante embaixo, dois meias pelos lados e o camisa 10 em cima, atrás dos atacantes. Não há meias abertos, então toda a largura vem dos laterais, e por isso o esquema é considerado estreito.

Quais times ganharam com a 4-3-1-2?

O Milan de Carlo Ancelotti venceu a Champions League de 2002-03 em losango, com Pirlo de volante, Gattuso e Seedorf pelos lados, Rui Costa de camisa 10 e Shevchenko e Inzaghi na frente; a final em Old Trafford contra a Juventus terminou 0 a 0 e o Milan ganhou nos pênaltis por 3 a 2. A Juventus de Allegri chegou à final da Champions de 2015 no mesmo desenho.

Qual é o ponto fraco da 4-3-1-2?

As pontas. Sem meias abertos, os 2 laterais são a única largura do time, e quando sobem deixam um espaço que os meias do losango precisam cobrir correndo 30 metros na horizontal. Contra dois pontas rápidos, o losango é obrigado a abrir e perde a superioridade no centro, que é a razão de ele existir.

Qual a diferença entre 4-3-1-2 e 4-4-2?

A posição de dois meias. Na 4-4-2 o meio-campo é uma linha reta com dois jogadores abertos; na 4-3-1-2 esses dois vão para dentro, um vira volante e o outro vira camisa 10 atrás dos atacantes. O losango ganha o meio e perde as pontas, e a 4-4-2 faz o contrário.

Como montar uma 4-3-1-2 online?

No Quick Lineup a 4-3-1-2 é uma das mais de 20 formações prontas: você escolhe o esquema, arrasta os jogadores, escreve os nomes e baixa a escalação como imagem. É grátis, não pede cadastro e funciona no celular, o que ajuda a decidir quem fica com a camisa 10.

Formação 4-3-1-2: O Losango, o Camisa 10 e o Milan de Pirlo